Esquema na Saúde? Porque Anápolis está enviando mil pacientes para o CEROF em Goiânia?

Esquema na Saúde? Porque Anápolis está enviando mil pacientes para o CEROF em Goiânia?

Secretaria de Saúde alega que procedimentos no CEROF não terão custo para o município, mas especialistas de Anápolis contestam: “Por que não investir aqui?” Comissão Municipal de Saúde tem conhecimento, mas omissão persiste; descaso na oftalmologia remonta à gestão Naves

Enquanto clínicas e hospitais oftalmológicos de Anápolis têm capacidade para realizar cirurgias de catarata e outros procedimentos visuais, a Prefeitura Municipal optou por enviar cerca de mil pacientes para o Centro de Referência em Oftalmologia (CEROF), em Goiânia. A justificativa é que o serviço seria feito “sem custo para o município”, utilizando a estrutura do centro de referência. No entanto, profissionais locais questionam: por que não investir esse dinheiro em Anápolis?

A Polêmia dos Valores

Fontes ligadas à Secretaria Municipal de Saúde revelam que a Prefeitura está pagando valores acima dos praticados por oftalmologistas de Anápolis para realizar as mesmas cirurgias em Goiânia. O CEROF, embora reconhecido como referência, não deveria ser a única opção, já que o município possui médicos capacitados e hospitais credenciados para esses procedimentos.

A Justificativa Oficial

Em nota, no Instagram, a Prefeitura de Anápolis afirmou que “as cirurgias serão realizadas sem custo para o município, utilizando a infraestrutura do CEROF, uma instituição de referência na área oftalmológica. “No entanto, não explicou como um serviço dessa magnitude — envolvendo cerca de mil pacientes — pode ser feito sem nenhum repasse financeiro.

De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, um Projeto de Lei liberou uma grande verba para a saúde no município. No entanto, em vez de investir na estrutura local, a atual gestão decidiu direcionar quase toda a verba para Goiânia.

O descaso com a oftalmologia em Anápolis não é novo. Durante a gestão do ex-prefeito Roberto Naves, o atendimento na área foi desmontado, com a suspensão de convênios e falta de investimento. Agora, mesmo com recursos disponíveis, a Prefeitura parece repetir o erro de não priorizar a saúde ocular dentro do município.

Pacientes no Meio do Conflito

Enquanto autoridades discutem (ou não) os rumos da verba pública, pacientes aguardam meses por cirurgias que poderiam ser feitas rapidamente se houvesse investimento local. Muitos deles são idosos ou pessoas de baixa renda, que dependem exclusivamente do SUS.

— Minha mãe está quase cega e foi colocada na fila para Goiânia. Por que não operam ela aqui mesmo?, desabafa uma filha de paciente.

O Cálculo do Desperdício

Dados obtidos pela reportagem mostram que o Sistema Único de Saúde (SUS) repassa R$ 730,00 por cirurgia de catarata, valor que já é considerado insuficiente por especialistas, uma vez que o custo de uma lente intraocular de qualidade gira em torno de R$ . Mesmo assim, hospitais locais estariam dispostos a operar dentro desse orçamento. No entanto, a Prefeitura opta por contratar serviços em Goiânia.

Apesar dos supostos benefícios da parceria intermediada pelo senador Jorge Kajuru (PSB) e anunciada como prioridade pelo prefeito Márcio Corrêa (PL), uma pergunta crucial permanece sem resposta clara: Por que Goiânia, se Anápolis tem capacidade oftalmológica ociosa?

Será interesse privado por trás da parceria?

Enquanto a Prefeitura celebra a redução da fila de espera, médicos e gestores locais questionam se há motivações ocultas por trás da escolha pelo CEROF. Algumas suspeitas levantadas por fontes do setor de saúde incluem:

  • Há algum oftalmologista ou grupo com influência política beneficiado por essa decisão?
  • Existe pressão de intermediários ou lobistas para direcionar verbas a Goiânia?
  • Por que não foi aberta uma chamada pública para hospitais e clínicas de Anápolis, que poderiam absorver parte dessa demanda?

A Prefeitura insiste que o acordo com o CEROF não terá custo para os cofres municipais, mas não detalha como mil cirurgias serão realizadas sem repasses financeiros. Se o governo federal ou estadual está bancando a operação, por que não foi feito um convênio direto com hospitais locais?

Foto: UFG / Reprodução

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