O primeiro boletim InfoGripe de 2026, divulgado pela Fiocruz, aponta queda nas tendências de curto e longo prazo de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no Brasil. Apesar do recuo generalizado, a vigilância permanece ativa: a circulação de vírus respiratórios ainda afeta principalmente crianças e idosos, e 2025 registrou 13.678 óbitos por SRAG no país. Especialistas destacam a importância da vacinação, testagem e atenção aos grupos mais vulneráveis.
O boletim consolida dados até a Semana Epidemiológica 53 (28 de dezembro de 2025 a 3 de janeiro de 2026) e traça um panorama que mistura sinais de alívio e riscos persistentes — sobretudo para faixas etárias extremas e regiões com circulação de rinovírus. Segundo a Fiocruz, as tendências de longo e curto prazo da incidência de SRAG mostram sinal de queda a nível nacional. Em quase todos os estados e capitais analisados, a incidência não alcança níveis de alerta, risco ou alto risco, o que indica um cenário menos crítico nas unidades de saúde em comparação a picos anteriores. Ainda assim, a instituição ressalta que os quatro últimos períodos epidemiológicos são suscetíveis a revisões, o que exige cautela na interpretação imediata dos números.
A avaliação territorial revela diferenças locais: enquanto a maioria das unidades federativas registra redução, alguns locais — principalmente no Norte e Nordeste — apresentam circulação destacada de rinovírus, que tem impulsionado casos entre crianças. Especialistas entrevistados pela reportagem afirmam que, mesmo com queda nacional, a capacidade de resposta do sistema de saúde deve ser mantida, com monitoramento contínuo de leitos, insumos e testes diagnósticos.
Perfil das internações e mortes em 2025
Em 2025 foram notificados 13.678 óbitos por SRAG no Brasil. Desses, 6.889 (50,4%) tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório; 5.524 (40,4%) foram negativos e ao menos 222 (1,6%) aguardavam resultado laboratorial no momento do levantamento. Entre os óbitos com diagnóstico viral confirmado, 47,8% estavam associados à influenza A, 1,8% à influenza B, 10,8% ao vírus sincicial respiratório (VSR), 14,9% ao rinovírus e 24,7% ao Sars-CoV-2 (Covid-19).
O levantamento mostra um padrão já conhecido: a maior incidência de SRAG concentra-se entre crianças pequenas, enquanto a mortalidade recai, sobretudo, sobre idosos. Nas últimas oito semanas, a média semanal de incidência e mortalidade manteve esse impacto mais severo nas faixas etárias extremas. Profissionais de saúde consultados destacam que a combinação de fatores — circulação simultânea de diferentes vírus respiratórios, cobertura vacinal desigual e comorbidades em idosos — explica parte da mortalidade observada em 2025.
O que a população e gestores devem observar agora
Com a tendência de queda, especialistas pedem vigilância ativa para evitar relaxamento precoce nas ações de saúde pública. Entre as medidas recomendadas estão a manutenção da vigilância epidemiológica (especialmente em unidades sentinela), ampliação e agilidade na testagem para diferenciar os agentes causadores, e campanhas de vacinação dirigidas a grupos de risco — em especial idosos e crianças pequenas — para influenza e para COVID-19, quando indicadas.
A Fiocruz também alerta para a interpretação dos dados das últimas semanas epidemiológicas, sujeitos a atualização conforme novas notificações e resultados laboratoriais. Gestores devem monitorar surtos locais, preparar serviços de atendimento respiratório para possíveis aumento de demanda e reforçar comunicação à população sobre sinais de gravidade (dificuldade para respirar, febre persistente, confusão mental, redução do nível de consciência), buscando atendimento imediato.
Por fim, a reportagem reforça que a queda nacional é um indicador positivo, mas não elimina a necessidade de medidas preventivas individuais — higiene das mãos, proteção de pessoas vulneráveis e atualização das vacinas — e coletivas, como fortalecimento da vigilância e garantia de acesso à testagem e aos tratamentos quando prescritos.









